Este mês de abril foi intenso, com diversos feriados que tornaram a demanda de trabalho ainda mais apertada. Minha meta era oferecer conteúdos sobre saúde mental e transtornos do neurodesenvolvimento; no entanto, não consegui atingir plenamente esse objetivo.

Ainda assim, não poderia deixar de abordar um tema que tive a oportunidade de estudar profundamente durante minha pós-graduação em Transtornos Comportamentais Escolares: o bullying. Considerando que, no dia 07 de abril, é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, não seria adequado encerrar o mês sem refletir sobre esse assunto tão delicado e preocupante.

Essa data foi instituída pela Lei nº 13.277/2016, que visa à prevenção e ao enfrentamento do bullying no ambiente escolar, promovendo a comunicação não violenta, o diálogo, a empatia e o respeito, como formas de inibir comportamentos agressivos e prevenir a violência por meio de ações educativas.

É importante destacar que o bullying (do termo inglês bully, que significa ameaçar, intimidar ou dominar) é caracterizado pelos seguintes aspectos:

Atos de agressão física, verbal, moral ou psicológica;

Ocorrência repetitiva desses atos;

Ausência de motivação evidente;

Prática por um ou mais estudantes;

Existência de uma relação desigual de poder;

Ocorrência, geralmente, no ambiente escolar.

Dessa forma, compreende-se o bullying como um conjunto de comportamentos agressivos e hostis recorrentes, nos quais o agressor busca dominar e humilhar a vítima — frequentemente por meio de difamação —, escolhendo alguém que não apresenta repertório para se defender, o que pode resultar em isolamento e exclusão social. Em muitos casos, os autores do bullying apresentam padrões comportamentais marcados por maior agressividade e impulsividade.

É fundamental ressaltar que tanto os autores quanto as vítimas necessitam de apoio. Quem pratica o bullying pode apresentar comprometimentos emocionais relacionados à necessidade de poder, superioridade e controle sobre os outros, sustentados por crenças disfuncionais. Muitas vezes, acreditam que não serão punidos ou que não haverá consequências para seus atos.

Por outro lado, as vítimas tendem a ser estudantes com dificuldades em se expor e pedir ajuda, muitas vezes por medo de represálias ainda maiores ao relatar o que estão vivenciando.

As ações educativas são essenciais, pois o bullying — assim como o cyberbullying — frequentemente ocorre de forma silenciosa ou é minimizado como “brincadeira”. Esse cenário também inibe testemunhas, que podem temer se tornar as próximas vítimas. Com o crescente envolvimento de adolescentes no ambiente virtual, observa-se um aumento da agressividade nas redes sociais, impulsionado pela facilidade de acesso às tecnologias.

Em suma, é essencial que pais incentivem seus filhos a se comunicarem e relatarem o que estão vivenciando. É importante também buscar conhecer como a criança ou o adolescente se relaciona na escola e quem são seus amigos. Aos professores e à equipe escolar, cabe fortalecer a escuta ativa: nem sempre o estudante quieto, obediente e que não “apronta” está bem ou não precisa de ajuda.

O bullying não possui uma causa única, mas pode estar relacionado a processos de aprendizagem por modelagem, ou seja, à forma como a criança é educada, podendo internalizar a violência e a agressividade como únicas estratégias para resolução de conflitos.

Diante disso, é fundamental investir em psicoeducação por meio de palestras para pais, responsáveis e estudantes, além da inclusão de temas como ética e problemas sociais no currículo escolar. Outras estratégias incluem supervisão contínua no ambiente escolar, incentivo à prática de esportes, atividades extracurriculares, formação de estudantes mediadores e implementação de programas sociais.

Existem também recursos confiáveis com informações relevantes, como o projeto “SOS Bullying – Salvando vidas e criando valores humanos” e os materiais do MEC, que auxiliam na prevenção e no enfrentamento do bullying nas escolas.

Referência bibliográfica

TEIXEIRA, Gustavo. Manual Antibullying: para alunos, pais e professores. Rio de Janeiro: BestSeller.